Sobre HINTT 2017

O futuro da saúde esteve no centro da reflexão da primeira edição do HINTT- Health Intelligent Talks & Trends 2017, onde esteve em cima da mesa uma abordagem focada no cidadão e na tecnologia, e nas vantagens que esta trará para a Saúde 4.0.

O evento pioneiro foi organizado pela Glintt, que juntou mais de 300 profissionais de saúde, gestão e TI, no dia 4 de outubro na Fundação Champalimaud. 

Saúde 4.0 foi o tema que trouxe a palco Bertalan Meskó  – The Medical Futurist, que esteve pela primeira vez em Portugal.


HINTT | Health Intelligent Talks & Trends2017

O papel da tecnologia na gestão e prevenção da doença, o poder da inteligência artificial na prestação de cuidados de Saúde, o impacto da inovação tecnológica para os profissionais de Saúde e o doente enquanto interveniente na gestão da sua Saúde ou doença foram alguns dos temas em destaque nesta sessão que procurou apresentar a todos os presentes uma visão disruptiva dos sistemas de Saúde.

Estas ideias foram partilhadas na mesa redonda “Saúde 4.0 – o impacto da tecnologia na Saúde”, moderada pelo jornalista Pedro Pinto, e que contou com a presença de Paulo Gonçalves, partner & managing director do BCG Group; Maria de Belém, jurista e política; Nuno Sousa, presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho, e pelo médico húngaro Bertalan Meskó. Os intervenientes neste debate salientaram, mais uma vez, a importância da proliferação de tecnologias que sirvam os pacientes e que lhes permitam estar mais próximos dos médicos. A criação de equipas multidisciplinares em hospitais e centros de saúde também foi abordada nesta mesa redonda, que sublinhou a importância de incluir os pacientes nestas equipas. 

Oradores

Bertalan Meskó

The Medical Futurist

Doutorado no estudo da genómica humana, e um dos cem mais aclamados autores da Amazon, o jovem médico Húngaro de 32 anos quer ajudar pacientes, médicos, reguladores governamentais e empresas a fazer da saúde digital uma realidade, ou seja, a levar a cabo uma “transformação cultural com tecnologias disruptivas”. Bertalan foi o grande destaque do evento, graças a uma apresentação criativa que comparou os serviços de saúde atuais a um astronauta sozinho em Marte: o paciente de hoje em dia sente-se isolado, recebe informação de uma forma distante e pouco personalizada, e segue apenas ordens. O orador mostrou que é necessário tornar o cidadão no verdadeiro foco do sistema de saúde, para que este seja parte do tratamento e atendimento médico, que deve ser focado na saúde e não na doença. Por isso, é na tecnologia que vê a oportunidade para criar um sistema de saúde realmente acessível, personalizado, preventivo e humano.


John Rayner

Diretor Regional HIMSS

O encerramento do evento científico coube a John Rayner, diretor regional da Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS) para a Europa e América Latina, que apresentou um estudo sobre a Maturidade Digital nas Unidades de Saúde. As principais conclusões revelam que o nível de maturidade digital do Sistema Nacional de Saúde Português está acima da média europeia e que os hospitais que investiram em tecnologia estão mais seguros, do ponto de vista burocrático, que os restantes.


Alexandre Quintanilha

Físico português e antigo professor


Alexandre Quintanilha também esteve presente no evento, com um debate que procurou explorar as oportunidades e ameaças da Big Data nos dias de hoje. Para o físico e antigo professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, as novas tecnologias surgem como forma de tratamento da informação com que somos confrontados diariamente – o que pode resultar, na sua opinião, no empowerment dos cuidados de saúde no seu todo. Mas Alexandre Quintanilha deixou alertas, principalmente no que diz respeito à quantidade, qualidade e propósito dos dados que são recolhidos e transmitidos no tratamento das tecnologias de informação e da saúde.


Maria de Belém

Ex-ministra da Saúde


Uma das questões frequentemente associadas à tecnologia ao serviço dos cuidados de Saúde prende-se com a equidade e igualdade de acesso por parte dos cidadãos. Durante a mesa redonda, a Prof.ª Doutora Maria de Belém afirmou prontamente que “provavelmente” a medicina tecnologicamente sofisticada não será capaz de garantir a igualdade que caracterizou até agora o sistema nacional de saúde português. “O agravamento das desigualdades é um dos principais riscos da tecnologia associada à Saúde, por isso, defendo que estas questões, que são complexas, devem ser tratadas com ambição, humildade e bom senso”, começou por explicar.


Nuno Sousa

Neurorradiologista e presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho


A primeira questão colocada aos especialistas pelo moderador da sessão , o jornalista Pedro Pinto, prendia-se com a transformação da relação entre os médicos e os doentes com a introdução da tecnologia na Medicina, e a relação entre os próprios profissionais de Saúde. “Enquanto prestadores de cuidados de Saúde, a tecnologia vai permitir-nos abandonar a medicina episódica, em que vemos os doentes pontualmente, quando nos procuram, e passamos a ter a oportunidade única de acompanhar variáveis contínuas de forma contínua”, “trata-se de uma construção a partir da qual a prestação de cuidados de Saúde, por parte de uma equipa multidisciplinar, se molda a uma nova realidade centrada na pessoa (que está ou não doente) e nos serviços personalizados”.


Paulo Gonçalves

Partner & Managing Director do BCG


A primeira questão colocada aos especialistas pelo moderador da sessão , o jornalista Pedro Pinto, prendia-se com a transformação da relação entre os médicos e os doentes com a introdução da tecnologia na Medicina, e a relação entre os próprios profissionais de Saúde. Dr. Paulo Gonçalves, partner & managing director do The Boston Consulting Group, alertou que “as tecnologias da informação vão permitir que o trabalho em rede seja mais fácil e que aquilo que o doente faz quando não está em frente ao profissional de saúde seja também registado”, defendeu. A título de exemplo referiu a integração dos métodos complementares de diagnóstico realizados pelo utente e a informação sobre as compras que realizou na farmácia numa rede integrada de dados que permita uma visão holística da pessoa em causa.


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